Isso aqui já serve, de antemão,
para quem está vindo e tem olhado os sites maravilhosos como o
Kijiji e o
Rentfaster.
Sempre que tinha tempo, quando estava no
Brasil, dava uma fuçada na internet, principalmente neste último, e ficava
namorando cada casa que via.
Olhava as
distâncias dos centros comerciais, supermercados, transporte público, olhava a metragem
(e convertia de pés quadrados para metros) e me via morando em cada uma delas.
Mas não.
Nada disso funciona.
Mandei v-á-r-i-a-s mensagens.
Não recebi qualquer retorno.
Ou melhor, uma alma caridosa me retornou
dizendo que já tinha alugado (pelo nome era chinês ou algo parecido) e me
desejou boas vindas.
Lindo.
Mas não funcionou, pois a tão sonhada casa só
pôde ser vista ou mapeada por aqui.
A província de Alberta é o irmão
rico do Canadá.
As pessoas estão vivendo
uma espécie de euforia coletiva, achando que as oportunidades de emprego estão
por aqui, que a vida aqui é melhor, blá blá blá.
Mas isso significa que tem havido uma espécie
de migração interna pra cá, e que, com isso, as ofertas de casa para alugar
estão escassas para a quantidade de gente que está procurando.
Eu, ansiosa do jeito que sou, cada casa que
via queria ficar, com medo de me tornar uma sem teto.
GENTÉM, pasmem.
Para quem ainda não está aqui, isso causa
estranhamento, mas quem escolhe o inquilino é o proprietário.
Ele marca horários pertos para cada potencial
inquilino e mostra a casa.
Encontrar
outras pessoas interessadas no mesmo imóvel que você, preenchendo a ficha de
‘proposta’, dando referências e informando o salário anual é desesperador.
Não temos renda, não temos (quase) nenhuma
referência (MUITO OBRIGADA
Patrícia,
Vanessa e Michelle).
Resultado: eu retornava algumas ligações após
a visita, para mostrar meu interesse e... “muito obrigada, mas já aluguei”.
Marido é muito mais
tranquilo do que eu e sempre achou que a nossa ia chegar. Eu não via muitas opções de casa, pois todas
tinham um porém (apenas um banheiro, piso de carpete, longe do ponto de ônibus,
pequena, velha...) mas estava no ponto de querer a que me quisesse. PORQUE CASA AQUI ALUGA MUITO RÁPIDO, GENTE!!
Para resumir a estória, conseguimos uma (p-e-r-f-e-i-t-a) uma semana depois de
chegarmos. O proprietário é um fofo,
super honesto com a gente, me escolheu duas horas depois de termos visitado a
propriedade, me ligou ainda na hora do almoço (estivemos olhando a casa 11 da
matina) dizendo: Juliana, a casa é sua (êêê).
Ainda brincou comigo falando que eu deveria pagar aos meus amigos por
eles terem dado tão boas referências minhas.
Galera, eles checam mesmo. Ainda
que seus amigos sejam imigrantes, brazucas como você, isso não faz tanta
diferença. Estando no Canadá há algum
tempo, sendo pessoas direitas (ou, ao menos, aparentemente direitas, haha), não
rola o preconceito. Nessa cidade que vivo
Canadian é coisa rara, igual a passarinho no inverno.
Alguns comentários, porém.
Tati, casa mobiliada não existe
praticamente.
Você vai ter que alugar
uma casa purinha como a nossa (todas tem geladeira, lava louça e laundry), ir
no IKEA, no kijiji e mobiliar.
Tudo
estilo faça você mesmo.
Como viemos sem
meninos, pensando no perrengue inicial, foi menos difícil.
Afinal, o frio é muito. Descobri, quando
cheguei, que ninguém muda no inverno.
Mas um motivo para a escassez de imóveis, já que os alugueis são feitos,
geralmente, por um período de um ano.
Mas, cara, foi uma semana saindo de oito da matina até sete da noite
comprando, pesquisando, comparando.
Dormindo meia noite com regra, apertando parafuso, montando móveis.
O programado era deixar tudo prontinho uns
cinco dias antes dos pimpolhos chegarem para, a partir daí, podermos pesquisar
as escolas.

O carro também ajudou.
Tudo, tudinho mesmo, entrou na nossa
Caravan.
Tudo foi carregado por maridão
e por mim.
Mesa, cama, colchão, sofá.
Não é fácil.
É um verdadeiro trabalho de equipe, viu?
Para quem está vindo e tem filhos maiores (acima de 12 anos), o problema
é menos pior.
Possível deixar as
crianças em casa, no homestay ou no hotel que ficarem, para rodar por aí.
No nosso caso, com Tom, de 2,5 anos, era
impossível.
Além disso, se colocássemos
as crianças no carro não caberiam os móveis.
Resumindo: foi o melhor para todos!

Outra coisa que
aprendemos. A galera aqui é muito
honesta. Compramos alguns (poucos)
móveis usados, negociado pela internet, no kijiji. Se te falarem que está em bom estado de
conservação, acreditem. A cama das
crianças, por exemplo, que íamos comprar no IKEA, acabei achando usado, de uma
família de imigrantes do Cazaquistão, pagando menos da metade do preço. Ele me disse que ela estava, em termos de
aparência, 6/10. Mas me mandou fotos e o
resultado é essa beleza daí: na minha concepção, 9,5/10. Quase perfeito!!

Também não
vimos nenhuma casa porcaria.
Ninguém nos
mostrou nada inabitável.
Em todas que vi
eu moraria, sem problemas.
O estado de
conservação de todas elas me surpreendeu.
Claro que tem uma questão de gosto também, e isso, sim, fazia
diferença.
Papel de parede extravagante
em cozinha, armários de mal gosto, cor do carpete.
Mas, como disse antes, sempre gostava da
última que estava visitando e, por mim, escolhia sempre qualquer delas. Last but not
least.
Quase todos os imóveis por nós
visitados eram de chineses.
Fazer negócio
com eles é infinitamente mais difícil.
Me pareceu que eles tinham mais preconceitos conosco, recém chegados, do
que os canadenses.
Chegamos até mesmo a
oferecer três meses de caução (quando o padrão é apenas um), para tirar a cara
amarrada de uma das proprietárias, do tipo ‘hum, vocês não têm emprego? ...Além
disso, outra coisa que nos impressionou, e que não é incomum por aqui.
Os proprietários podem ter acesso a alguns
espaços da casa, desde que estipulado em contrato.
Cara!!! Tem uma galera que tem muita tralha!!
Tanta mesmo que usam a garagem para acumular tranqueira, estacionando o carro,
em pleno inverno, do lado de fora.
Ou
tem um basement lotado de tudo que você possa imaginar, e te aluga a casa sem o
porão, ou sem a garagem.
Tivemos a
proposta, de uma casa bacana, até, de dividirmos a garagem com a proprietária,
que ia se mudar de cidade mas queria deixar um carro velho e uns apetrechos de
um restaurante chinês que possuía guardado.
Isso depois de muito insistirmos de que sem a garagem não alugaríamos,
pois não iria deixar o carro ‘tomando frio’ na frente de casa, como ela
sugeriu.
Então, povo, é
isso. Também fizemos exigências, também
colocamos os limites do que flexibilizaríamos ou não. E deu certo.
Agora, para alugar uma casa, não dá pra pensar muito. Os trâmites são rápidos mesmo. Gostou, faça a proposta. Caso contrário, outro vem e fica com
ela. Como os aluguéis são por um prazo
mais curto do que no Brasil, principalmente porque depois de um ano, já
estabilizados, muitos imigrantes já compram a sua própria (já que basta 5% do
valor desta para dar de entrada, com juros praticamente em 0%), você se mudará
mais cedo ou mais tarde, anyway, não precisa esperar. Deixa para pensar a longo prazo quando você
estiver adquirindo o seu lar. E, boa
notícia para todos nós: o preço dos imóveis residenciais, no Canadá, está
caindo em torno de 20% (e continuará baixo nos próximos anos!!!).