Esse pretende ser um espaço para registrar todos os desesperos, agonias e conquistas de uma família baiana em busca do sonho gelado que é viver bem lá em cima do hemisfério norte.
Yuppi!!! Não, não aconteceu nada de errado com nosso processo. Cachorro não fez xixi nele, não o jogaram fora, não rasgaram. Ele estava lá, quietinho, esperando uma mão abençoada para tirá-lo da pilha dos desesperados para declarar, finalmente, a minha alforria!
Não sei porque cargas d'água cada processo leva um tempo diferente. Não consigo entender como um casal de amigos nossos, que mandaram os exames médicos quase um mês depois da gente, recebeu o passaporte com os vistos há quinze dias. Simplesmente não tem qualquer explicação. Segundo eles, isso depende do oficial que está com a sua documentação em mãos, cada um andando em um ritmo diferente. Não funciona, em suma, como aprendi na educação infantil. Uma fila. Os primeiros a chegar serão os primeiros a serem liberados, no esquema do 'quem vai chegando vai ficando atrás, sabe?'
Ainda bem! Já que eles estariam de viagem de turismo em novembro para o Canadá, a 'urgência' é maior do que a nossa, né? Deus sabe o que faz!! Então irão aproveitar para fazer logo o landing e resolver toda a burocracia relacionada a essa grande mudança. E eu, que só iria em janeiro, poderia estar esperando um pouco mais. Que bom que foi assim. Tudo tem mesmo o tempo certo de acontecer, mas falar (ou pensar) nisso quando estamos desesperados é tão difícil...
Por isso mesmo, consegui ajuda especializada de um grande amigo e, finalmente, entrei em contato com o consulado canadense. Disse que estaria em São Paulo durante essa semana e gostaria de passar para pegar meu passaporte. A resposta? Prontamente me informou que eu poderia ir a partir de terça-feira dessa semana, nos horários pré-determinados.
O que isso significa? Que compramos (marido e eu) passagens para Sampa para quinta-feira e iremos, pessoalmente, recolher os nossos quatro passaportes. Não me contive de felicidade! Está tudo ok com nossos exames médicos e nossa documentação complementar e, por conta disso, não ficaremos um dia a mais do que o inicialmente imaginado. Até a passagem para Calgary já foi tirada: 17 DE JANEIRO DE 2013!!
Agora é contagem regressiva. 90 dias para fazer check up na familia toda, 90 dias para resolver documentações, arrumar a bagagem, se despedir. Enquanto eu gostaria que fosse amanhã, minha cara metade me faz ver o outro lado da moeda. São APENAS 90 dias para aproveitarmos intensamente tudo de bom que temos aqui, principalmente a família! E pensar que na sexta-feira estaremos com os nossos lindos passaportes em mãos...
Breve teremos mais notícias, viu? Serão três dias em Sampa, aproveitando para visitar meu irmão e cunhada queridos (e a pequena sobrinha, que até hoje só vi em fotos), tomar uns chopps, comer pastel e ver alguns amigos.
Na minha infância dia de ganhar presente era dia especial. Salvo raríssimas exceções (como uma viagem de meus pais, por exemplo), ansiava pelo natal, aniversário e pelo dia das crianças para escolher o que queria de presente. E, talvez devido à pouca diferença de idade na minha casa (quatro irmãos, com seis anos separando o mais velho da caçula), o presente de um, muitas vezes, era partilhado entre todos. Então, minha memória emocional destas datas é essa: de um dia especial, de ficar em família, com brinquedos novos, comida especial na mesa, música tocando no toca-fitas (ou no CD), sobremesas.
E então veio essa perspectiva de mudança para o Canadá. E, com o objetivo de tornar nossa bagagem cada dia menor, com apenas o estritamente necessário, passamos a viver com muito pouco menos. Roupa, as crianças vestem até não caber mais (ou até manchar ou ficar esgaçada). Brinquedos... bom, estes sempre foram difíceis de administrar.
Mudamos já vai fazer um ano da nossa casa para dois quartos no apartamento de minha mãe. E, com isso, reduzimos a lista dos itens estritamente necessários para viver. Théo, à época com seis anos, triou o que gostaria de levar para a casa da avó, colocando uns itens à 'venda', doando outros tantos. Fácil, rápido, indolor. Mas, ao longo desses 11 meses, involuntariamente, foi adquirindo outros tantos itens, o suficiente para encher o maleiro e me encher de rugas. Quarto bagunçado, maleiro lotado.
Passou seu aniversário, comemoramos o aniversário do irmão. De repente observo esta criança com comportamento de colecionador, pedindo brinquedos repetidos aos membros da família, apenas para ter mais (que ele nunca consegue, pois sempre perde alguns), ou para igualar a sua coleção ao de algum colega de escola. Quando questionado sobre o presente que gostaria de ganhar, leva longos segundos sem resposta. Para mim, por um motivo óbvio: simplesmente tem mais do que precisa.
E, juntando a mudança para o Canadá que se
aproxima com o fato de que os meninos possuem alguns vários
brinquedos ainda na caixa, sem terem sido propriamente explorados, o dia das
crianças aqui em casa vai ser consumo zero!Conversado com o primogênito (e com os avós das crianças), tudo foi
devidamente acertado e concordado.
Mais presença e menos presente.Esse tem sido nosso lema, essa tem sido a
plantinha que tento semear nas crianças.E, qual não é minha alegria ao perceber que basta uma caixa enorme de
rolhas de garrafa de vinho para despertar a criatividade de Théo, preenchendo
toda a sua tarde de brincadeiras das mais diversas! Me divirto ainda mais
quando vejo Tom cobiçando este novo brinquedo do irmão... mais uma prova de que
criança não gosta de presente novo, mas de novidades!!!
Por enquanto tem dado certo por aqui.Mas, quando penso no natal e tento convencê-lo
a pedir dólar para Papai Noel de presente, ainda escuto resistência, tanto do pequeno
quanto do maridão.Estou sendo rígida
demais??
O que não podemos, é fato, é estimular o
comportamento consumista como tenho visto por aí.
O que muito me agrada, e estou bastante otimista com relação a isso, é que, ao que parece, o Canadá não é um país em que o consumo é incitado. Acho que quanto menor a diferença social, menos necessidade as pessoas têm de TER PARA SER. Porque a cena que eu vi no shopping esta semana, de pessoas correndo desenfreadamente em busca de determinados brinquedos, comprando mais do que as mãos podiam carregar, dividindo em 10 x no cartão de crédito, satisfazendo um desejo insaciável de consumir, muito me entristeceu. Isso é típico de países pobres, não? De lugares em que, para uma pessoa se sentir respeitada, inserida na sociedade, precisam comprar, ainda que para isso sacrifique boas noites de sono ao aumentar o seu poder de endividamento. Ter crédito, na sociedade de consumo, é ser alguém.
E a máxima cartesiana se inverteu. Compro, logo, sou...
Lembro com uma
relativa saudade o tempo das cédulas de papel nas eleições. A urna,
quando eu era criança, exercia em mim uma magia, uma fascinação
indescritível. Tudo isso junto com o fato de que costumava ir com meu
pai votar, ajudava a depositar o papelzinho na urna, juntamente com a
esperança por um futuro melhor, por mudanças consideravéis no futuro do
meu país e da minha cidade. A crença em um futuro melhor levava todos
no dia das eleições às suas zonas eleitorais, ao exercício do dever
cívico, ao respeito a este dia tão importante.
Posteriormente, ainda acompanhava a apuração dos votos. Não sei quantas vezes eu fiz isso, mas ficou marcado o frio na barriga que sentia, as batidas alteradas no coração e os pulos e aplausos a cada voto computado para o meu (de meu pai) candidato. Tudo isso no lugar que hoje abriga a maior delicatessen de Salvador (Perini), quando ainda era o meu querido Clube Baiano de Tênis.
E as risadas coletivas em cada voto nulo? Macaco Simão, Chacrinha, Jesus Cristo, etc. Esse sim, um verdadeiro ato de protesto. Os votos em branco eram poucos pois, segundo meu pai, depositar uma cédula eleitoral em branco nas urnas era um prato cheio para possíveis fraudes nas eleições. Em suma, esperei com ansiedade completar 16 anos para também, naquele momento, me sentir de fato uma cidadã, uma pessoa suficientemente responsável para escolher seus diligentes.
Isso tudo apenas para mencionar o quanto que me sinto triste com a verdadeira palhaçada que as eleições se transformaram atualmente. Não aguentava ver minha cidade, além de abandonada pelo atual prefeito, totalmente poluída com cartazes, santinhos e pichações. Nos canteiros centrais, nos outdoors, na rádio, na televisão. Candidatos sem qualquer proposta congruente para esta São Salvador da Bahia. Propagandas ridículas que subestimam a inteligência (e a memória) dos eleitores, com uso de pessoas dançando, axés, reggaes e pagodes para dizer que vão resolver, principalmente, o problema do trânsito de Salvador. Isso sem falar dos milhares de candidatos a vereadores (para apenas 43 cadeiras) que fazem da campanha desta cidade um verdadeiro circo, com baixarias e slogans de campanha tão idiotas que chegam a ofender.
Vejo que o soteropolitano é o melhor que essa cidade tem. E este, infelizmente, perdeu o amor próprio, a sensação de pertença com relação à sua cidade, a sua auto-estima. Estamos cabisbaixos, desesperançosos, descrentes em um futuro melhor. Neste sentido, o futuro, que nos movia para frente há um quarto de século, quando eu era criança e adorava 'votar', atualmente não nos trás qualquer ânimo. É a completa certeza de que nada vai mudar, as coisas não vão melhorar. E, por este motivo, só nos resta viver o dia a dia, acordando cedo, enfrentando o trânsito infernal de Salvador ou, para os menos favorecidos, agradecer quando consegue entrar no ônibus, ainda que pendurado para o lado de fora.
Nos contentamos, pois, em escolher um candidato 'menos pior'. Não conheço absolutamente ninguém que tenha votado feliz, convicto no que fez, tendo certeza da qualidade do seu candidato. E, pelo menos para, se contentar com o menos pior é muito pouco!!
Aqui estou eu, pós eleições, olhando para essa sujeirada produzida por nossos representantes com profunda tristeza. Gentém! Foram 88 toneladas de lixo nas já tão sujas ruas de Salvador!
Me sinto, de fato, ressaqueada. E, ainda por cima, com um enorme problema: escolher alguém para votar no segundo turno. Gostaria mesmo de, nesta época do ano, já estar no Canadá para não ter que lidar com este problema. Porque votar nulo sempre foi contra os meus princípios...
Esse post é apenas mais um triste aniversário comemorado nesse longo processo que é a espera pelo tão sonhado visto canadense. Fazem dois meses que enviamos os exames médicos para Ottawa (e documentação complementar para o Consulado de São Paulo). Sei que tive muita sorte na primeira fase do processo, pois entre o envio do calhamaço que é a documentação solicitada até a resposta positiva do governo canadense esperamos apenas 45 dias. E eu, tolinha, achava que o resto seria tranquilo e rápido,tendo até mesmo feito planos de estar em março de 2012 (sim, me crucifiquem. Achei mesmo isso) na tão sonhada terrinha.
A partir de então foram looongoooos meses de espera. Consigo medir isso olhando para o meu filho caçula. Partimos para a árdua tarefa de coletar documentos sobre nossa vida desde os 18 anos de idade em março do ano passado, com o pequeno contando com apenas 10 meses de idade. E hoje, falando, correndo, frequentando escola, vejo que 22 meses é uma vida, né? Quanto mudamos, quanto aprendemos nesse tempo?? No meu caso, com exceção da mudança de casa, mudei nada. Vivo, constantemente, esperando a semana passar, com a chegada da tão sonhada sexta-feira (thanks God it's friday!!!). E, no sábado, agradecendo que mais uma semana se foi, torcendo para que chegue a segunda!! Êita espera difícil! Dá para ficar irritada, entediada, ansiosa. Quem não pirou nesse processo é porque tem uma saúde mental de ferro, viu? Colegas imigrantes, agradeçam. Vocês passam longe de antidepressivos e ansiolíticos. Se, no auge do inverno canadense descambarem pra comer chocolates e alimentos gordurosos, estão justificados e desculpados. Antes isso do que engrossar a fila daqueles que tem seus afetos medicados e entram na triste estatística dos acometidos por qualquer tipo de transtorno mental.
Enfim, é isso. Mesmo que estejamos planejando fazer o landing em janeiro (não me internem não, tá? Comprovadamente não sou louca... apenas ansiosa), precisamos ver passagem, casa, visto americano. E, além do mais, o medo de ter dado alguma coisa errada com os exames médicos (e termos algum pedido de complementação) é grande. Vimos acontecer com gente querida da blogosfera e, definitivamente, não é uma experiência pela qual queremos passar!!
Será que é muito ligar para a Maura pelo menos três vezes por dia, todos os dias? Será que errei em ter deixado recado na secretária eletrônica, na esperança de ter minha ligação retornada? Alguém, nesse meio tempo, conseguiu falar com ela?? Corrro algum risco de meu processo ter caído em baixo da mesa, um cachorro ter feito xixi nele e o funcionário de serviços gerais tê-lo jogado no lixo?? É muito devaneio ou faz algum sentido??
Alguém aí, please, me dá uma boa notícia. Me consolem, meu povo!!
PS: Hoje, em pleno outono, os termômetros marcam -6 C em Calgary. Alguém me belisca??
Que o Brasil é um país extremamente caro para se viver (e para visitar) já não é novidade para ninguém. Na sala do meu trabalho, nas ruas por onde ando, no elevador do meu prédio, nas comunidades virtuais e no seio familiar só vejo pessoas se revoltando, comparando preços, mencionando valor da conta do restaurante, em tom de indignação. E, nós brasileiros, guerreiros e batalhadores, muitas vezes nos pegamos pensando na mágica mensal de fazer o dinheiro esticar para completarmos os trinta dias. Ou, ainda (como no meu caso) tentando entender como o fulano ou o cigrano consegue viver com um salário de X, já que nossa família, mesmo com uma renda relativamente boa e com os gastos extremamente controlados e na ponta do lápis, contamos diariamente com sobressaltos e imprevistos no orçamento. Enfim. Não tenho resposta para dar sobre a vida alheia, mas sei que vivo revoltada com os preços praticados por aqui. Farmácia, educação, alimentação, combustível, impostos, contas de água, luz, telefone. Pagamos a terceira maior taxa de juros do mundo (acorda, gente! Não há motivo para comemorar a queda da SELIC. Ainda é alta pacas!!). Pagamos o 4o. Big Mac mais caro do mundo e, pasmem, o carro no Brasil é o mais caro entre os mais de 200 países deste mundão todo!!
E você ainda acredita que o Brasil é a bola da vez???Não tem alguma coisa M-U-I-T-O errada nisso tudo??? Acho, sim, que nós, brasileiros, somos raçudos. Mesmo diante de tamanha lamúria e sofrimento ainda encontramos espaço para viver: crescer, sorrir, acreditar, trabalhar, sonhar com um futuro melhor. Saímos da famosa classificação de país subdesenvolvido e viramos emergentes!!! E, assim como os emergentes sociais, queremos consumir, adquirindo tudo aquilo que antes não nos estava acessível. Mas, atenção neste ponto, muita calma nessa hora. Vale a pena dar uma refletida nesse ponto aqui antes de sair por aí pagando taxas exorbitantes aos bancos apenas para se sentir com 'um lugar ao sol'. Até porque consumo consumo consciente é o que há, não? Então, antes de trocar de carro, comprar tablets, celulares, notebooks e outros, se informar do preço que está sendo praticado no Brasil-sil-sil é fundamental. Não que eu queira nutrir a revolta ou propagá-la, mas já chega de ser feito de idiota, né, meus compatriotas??
Vejamos isso aqui:
A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o
carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga
tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas, na verdade, o grande vilão dos
preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria
automobilística tem um peso importante no PIB,o carro custa tão caro para o consumidor.Com o mesmo valor que o
brasileiro compra um Uno, o europeu pode ter na sua garagem um Jetta, ou um
Civic ou um Golf (http://omundoemmovimento.blog.uol.com.br)
-->Se
o brasileiro pudesse trazer dos EUA um Corolla zero na mala, ele desembolsaria
R$ 29 mil. Mas se for comprar no País, o veículo sai por mais de R$ 60 mil.
E essas diferenças não se restringem somente aos
EUA.
Uma outra questão a ser levada em conta é a tributação dos bens de consumo no Brasil. Enquanto no resto do mundo é regra ter um único imposto para o consumo, aqui são pelo
menos seis. Em Alberta, como já mencionei em outro post, o IVA, equivalente ao nosso ICMS (Imposto sobre Circulação
de
Mercadorias e Serviços) é de 0%!!! Isso mesmo. Por ser uma província superavitária, não faz qualquer sentido onerar ainda mais o contribuinte com a cobrança de mais tributos, uma vez que o governo não necessita deste recolhimento para engordar o seu orçamento. E, se eventualmente no balanço fiscal anual houve excedente, o valor pago a mais pelos cidadãos é devolvido proporcionalmente ao bolso do cidadão. Lindo, não? No Brasil, ao contrário, a cobrança de impostos em cascata. O ICMS, cobrado pelos estados da federação, por exemplo,
incide sobre o Cofins, o PIS e o IPI, que é um imposto federal. Ou seja: você
paga imposto sobre imposto e tudo fica mais caro. Por esse motivo, quase metade do valor de um carro , no Brasil, cerca de 40%, fica para o governo na forma de
tributos. Somente a título de comparação, nos EUA e na China é 20%, e na vizinha Argentina, 24%. Ou seja: precisamos, mesmo, melhorar muito para termos orgulho deste tão falado país do futuro, meu povo!!
Por fim, e para não deixar este post muito grande:
-->levando em conta que renda mensal média do brasileiro (R$ 1,5 mil) é bem menor
que a de regiões mais ricas (R$ 6 mil nos EUA, por exemplo), tudo é mesmo muito
mais caro por aqui. Ou seja,enquanto um brasileiro que ganha o salário médio no país precisa trabalhar um
pouco mais de um mês para comprar um iPad, um americano consegue comprar o
tablet da Apple em menos de três dias.
Mas, last but not least, não é por isso (por causa do custo do IPAD), que estou migrando, não, meu povo. É porque simplesmente não aguento mais trabalhar até o mês de maio todos os anos apenas para pagar impostos!! E trabalhar os demais meses que faltam para pagar a escola, o curso de inglês, o plano de saúde e os remédios da família. E, nos fins de semana não sobrar dinheiro suficiente para a diversão familiar (sim, porque também pagamos tubos de dinheiro para dar uma arejadinha na cabeça) ou, quando nos sobra, simplesmente ficarmos com a mobilidade restrita por conta da violência urbana, né?
Como meu filho disse à avó outro dia que o Canadá é o melhor país do mundo e que lá não tem violência, "é pra lá que eu vou". Não me iludo achando que lá é um mar de rosas. Mas, ser respeitado na qualidade de cidadão, ver o dinheiro pago em impostos revertido na qualidade de vida da família e ter educação e saúde de qualidade e de graça simplesmente não tem preço!!!(e isso não é propaganda de cartão de crédito, haha).
Pois é, pessoal. Quando vi que o último post foi há quase dois meses atrás tomei mesmo um susto!!! E pensar que (quase) nada aconteceu em termos de processo e que seguimos nesta espera infindavel dá até um pequeno desespero!!! Mas, por outro lado, ver que os dias estão mais leves e passando mais rápido muito me consola. Jájá estaremos no final do ano e, se tudo correr bem, estaremos nas despedidas das coisas, pessoas e comidas (não necessariamente nesta ordem, hehe).
Os exames médicos estão em Ottawa desde dia 8 de agosto e, após ter conseguido falar com o consulado em São Paulo (com a Maura, especificamente) no final daquele mês, me prometi que, ao completarem 30 dias de passaportes enviados/recebidos, ligaria novamente. E... nada.
Pois é. Deve mesmo ter sido sorte de principiante ter falado com essa figura lendária entre os imigrantes (e que foi ultra receptiva comigo, é verdade), pois já fazem dez dias que tento todo santo dia, em horários diversos, e quem me atende é uma simpática voz em inglês gravada na secretária eletrônica. Algumas vezes essa voz me diz para deixar recados. Em outras, informa que a caixa de mensagens está cheia... como tenho lido em blogs de pessoas queridas que a espera tem sido em média de 45 dias, acho melhor aguardar. Aliás, não acho nada. Só que não tem jeito, tem??
A 'convivência' na rede social com pessoas maravilhosas que estão passando pela mesma situação serve como incentivo para, enquanto isso, trocar mensagens, ouvir dicas e me preparar o máximo possivel para a chegada, já que muitos comentam que um dos grandes erros do imigrante é achar que o processo acaba com o recebimento dos passaportes, pouco atentando para as providências e dificuldades ao chegar em solo estrangeiro. Então, seguem algumas informações recebidas, compiladas (quem tiver alguma outra, favor registrar para que eu possa acrescentar e, assim, ajudar 'ozamigo'):
- estude, estude, estude. Quanto melhor for o seu inglês, mais fácil a inserção profissional. Não deixe para pensar nisso quando chegar no canadá, garota. A sua vida vai ser mais difícil assim, e o trauma da mudança, consequentemente, maior.
- leia o máximo que puder sobre as ajudas que o governo canadense pode/vai te dar. Ainda estou tateando nesse tópico, e, por exemplo, todas as simulações de auxilio financeiro por conta de dependente (tenho dois) não alcança o valor de +/- CAD 700 que é o máximo por criança, até completar 18 anos. Na verdade, nem mesmo metade disso. Ainda não sei o motivo, nem sei como preencher o bendito formulário, mas, com muita desposição e alguma ajuda, acho que chego lá. Afinal, se sou uma sem renda, por que o valor do benefício ficou tão baixo???
- entre em blogs, comente, tire dúvidas. Mas não vale aquele pedido de informações de quem nem sequer sabe do que está falando, viu?? Dúvidas específicas relacionadas ao processo, pela minha própria experiência, os brazucas têm prazer em responder. Mas escrever mensagens do tipo "eu e meu marido estamos pensando em ir morar no Canadá (...) o que precisamos fazer?" não vale, ok. Cara pálida, se você, o maior interessado, não tem tempo de pesquisar, porque um outro tem que fazer o trabalho que é seu??? Ser imigrante é ralar, então arregace as mangas e comece!!
- se organize, administre seu tempo e inicie o processo de triar tudo que vai ser levado, separando do que vai ser doado e daquilo que será guardado para a posteridade. Neste momento estamos (na verdade, é maridão que faz essa parte) gravando os CDs no computador, para deixarmos os mesmos aqui, levando apenas as músicas. Ser imigrante é também se desvencilhar de bens materiais, adotando uma conduta menos consumista, mais minimalista.
- Tente poupar dinheiro para o seu ano sabático. Todos nós sabemos que mudar de país é, inicialmente, dar um passo para trás para dar dois para a frente. E, para o tempo de vacas magras, ter um pouco de reserva é ter mais tranquilidade para esse recomeço. E mais tranqulidade facilita a adaptação, né? Em suma, é economizar para não faltar!!
- faça check up em você, no seu companheiro (a) e filhos. Estamos, aqui, fazendo testes alérgicos, endoscopias, exames de laboratórios, ortopedistas e dermatologistas.. por enquanto, falta apenas os meus exames que o dos meninos está ou realizado ou marcado!
- e, por último, curta tudo que você acha que vai sentir falta. Embora seja um momento de loucura desvairada para a mudança (afinal, não estar lá nem cá, viver longos meses no limbo é bastante difícil, né?) lembre que também são os minutos finais e você não sabe quando irá ver seus pais, avós, tios, amigos, muqueca, acarajé, praia, feijoada de novo, né?? Até esse calor infernal já às 6 da matina sei que vai ter seus momentos de lembrança saudosista na minha memória. Por isso, quando quero reclamar da vida (e da calça jeans colando de calor no meu corpo tão cedo de manhã) tento dar uma de Polly e sorrio. Já que o frio de -20 C se aproxima, nada melhor do que me recarregar de vitamina D e levar na bagagem esse sol de lascar!!
Acho que muita gente já leu essa reportagem que vou postar aqui, tirada na íntegra daqui: www.revistavidabrasil.com.br., que fala exatamente o que está dito no título desta postagem - Salvador, juntamente com Maceió, é uma das piores capitais brasileiras para se viver. Eu, pessoalmente, tinha escutado uma matéria na rádio que dizia exatamente o que está escrito nas linha abaixos. Ou seja: a qualidade de vida piorou sim, e muito, para os baianos. Como se trata de uma pesquisa de percepção, e não está diretamente embasada em índices (saúde, violência, trânsito...), me dá uma certa tristeza tranquilidade saber que a insatisfação não é só minha: os baianos, mais especificamente os soteropolitanos estão, sim, se queixando da vida que levam. Mas, tristeza maior é não encontrar eco no poder público. Prefeito, cadê você??
Quem tiver tempo (e interesse) vale a pena dar uma lida na matéria. E, se chegar até o final, entenderá com perfeição o que nos leva a querer viver no Canadá, o quarto país mais seguro do mundo para se viver!!
"Nossa pesquisa foi feita em
conjunto com outros quatro países – Portugal, Espanha, Bélgica e Itália. O
objetivo foi comparar a qualidade de vida em diferentes capitais, da forma como
o assunto é percebido por seus habitantes. Enviamos por e-mail um questionário
para brasileiros de ambos os sexos, com idades entre 18 e 74 anos. Obtivemos,
ao todo, 2.202 respostas. A maior parcela dos participantes é composta por
homens, com idades entre 35 e 54 anos, casados, com alto índice de
escolaridade.
As entrevistas para a pesquisa foram realizadas
entre setembro e novembro de 2011, com pessoas de classe média. Salvador,( foto
de abertura) uma das mais belas cidades ficou entre as com pior qualidade
de vida. Curitiba e Vitória( foto) são as melhores!
Curitiba está entre as melhores
capitais para se viver.
A forma como uma pessoa percebe a cidade onde
habita é fundamental para determinar se o local oferece – ou não – qualidade de
vida. Essa é a conclusão do nosso estudo mais recente sobre o assunto,
realizado entre brasileiros de ambos os sexos, residentes em 21 capitais. Os
resultados da pesquisa mostram que emprego, segurança, habitação, educação, saúde
e mobilidade estão entre os aspectos que mais influenciam a qualidade de vida
em uma cidade, de acordo com os participantes.
Com exceção de Natal, grande
parte dos moradores das outras 20 capitais brasileiras demonstrou vontade de
viver em uma cidade menor ou, até mesmo, em uma região rural. Isso demonstra
que, para muita gente, a vida no campo pode significar uma possibilidade de
fuga do estresse – e, consequentemente, de aumento da qualidade de vida, já que
em uma cidade menor, em tese, há mais facilidade nos deslocamentos e menos
violência, por exemplo.
Somente em duas capitais do nosso
estudo, a maioria dos entrevistados relatou não possuir casa própria.
Entretanto, para os moradores de apenas sete capitais (sendo quatro da região
Nordeste), a habitação representa o aspecto que mais influencia positivamente
na qualidade de vida. Ainda em relação à habitação, os participantes da
pesquisa avaliaram oito características. Entre elas, o número de quartos e a
temperatura no verão são as que menos agradam. Por outro lado, os fatores que
mais satisfazem os entrevistados são tamanho da residência e iluminação natural.
“Eles também se queixaram da dificuldade de circular com seus veículos
e, ainda, de encontrar uma vaga de estacionamento – até nos fins de semana a
tarefa é difícil em Brasília, Salvador e São Luís.”
Quanto aos
problemas que os entrevistados percebem em sua vizinhança, os quesitos barulho,
segurança nas ruas e vandalismo obtiveram as menores médias e chamaram a
atenção dos entrevistados. Para os participantes da pesquisa, as melhores
capitais no quesito habitação são Vitória, Aracaju, Goiânia, Florianópolis,
Natal e Campo Grande.
Os aspectos relacionados à saúde, na opinião dos entrevistados, são os
que mais influenciam -negativamente – a qualidade de vida em nove capitais. Em
11 capitais, mais da metade dos entrevistados afirmou que, apesar de ter
necessidade de ir a um médico, não vai. E o principal motivo é a demora no
atendimento, sobretudo para 83% dos entrevistados de Aracaju. Para os moradores
de Brasília, a dificuldade de transporte até os locais de atendimento também é
um fator agravante.
Embora os entrevistados tenham facilidade para encontrar um clínico
geral e fazer os exames, a qualidade dos hospitais públicos deixa a desejar. De
modo geral, a satisfação dos entrevistados com a qualidade dos serviços de
saúde em suas cidades é baixa. As três capitais com melhor pontuação – Vitória
(66), Curitiba (60) e Recife (59) – alcançaram notas consideradas baixas.
Os aspectos
relacionados à educação são mais animadores. Todos os entrevistados de
Goiânia e Campo Grande afirmaram que os filhos tiveram a oportunidade de
estudar o que desejavam em sua própria cidade. E as outras cidades, exceto
Vitória, conseguiram índices acima de 70%, com destaque para Cuiabá (95%), João
Pessoa (97%) e Fortaleza (99%). Na avaliação geral, São Luís (com nota 45) e
Maceió (com nota 39) obtiveram as piores avaliações.
A mobilidade foi um dos aspectos
mais criticados pelos participantes do nosso estudo, e apenas Curitiba, Vitória
e Campo Grande obtiveram notas aceitáveis – embora baixas. Quando os
entrevistados foram questionados sobre a satisfação quanto aos horários, apenas
sete capitais (um terço das cidades analisadas) conseguiram média acima de 5
nesse quesito. Esse número cai para cinco capitais quando o assunto é a
frequência. Em relação à segurança dos transportes, apenas Florianópolis
conseguiu alcançar média 5. Quanto ao preço, Fortaleza e Vitória são as
cidades que apresentam as tarifas mais baixas. E quando o assunto foi conforto,
todas elas foram criticadas por seus habitantes. A dificuldade de circulação
foi muito criticada, já que os entrevistados reclamaram da falta de calçadas.
Eles também se queixaram da dificuldade de circular com seus veículos e, ainda,
de encontrar uma vaga de estacionamento – até nos fins de semana a tarefa é
difícil em Brasília, Salvador e São Luís.
Os entrevistados de Belém, Belo Horizonte, João Pessoa, Manaus e Porto Alegre
fizeram com que essas cidades apresentassem um percentual maior de pessoas que
se consideram desempregadas (sem emprego fixo). Natal e Aracaju são as cidades
que concentram o maior número de pessoas profissionalmente ativas. E Maceió e
Florianópolis, o maior número de aposentados. De modo geral, os participantes
das 21 capitais relataram gastar muito tempo no deslocamento de suas casas para
os locais de trabalho e, também, grande dificuldade para encontrar um emprego.
Em cinco capitais (Cuiabá, Recife, Belém, Salvador e Maceió), a segurança é
motivo de preocupação. Para esses entrevistados, a violência se faz cada vez
mais presente, principalmente na forma de assaltos, homicídios, tráfico e uso
de drogas, interferindo de forma negativa na qualidade de vida."
A EVOLUÇÃO DE SEIS CAPITAIS
Veja no mapa
a evolução da qualidade de vida de seis capitais nos últimos cinco anos, de
acordo com a avaliação de seus habitantes:
MANAUS,
CAMPO GRANDE, SALVADOR, RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO E
CURITIBA.