Estava eu, sexta-feira de noite, fazendo o caminho do 34 andar do prédio em que trabalho até o carro, que fica em um centro empresarial ao lado. Olhei para a rua, pensei na vida. E os pensamentos giravam em torno do fato de já termos virado o segundo semestre sem qualquer notícia do hemisfério norte. Ou seja, estamos mais perto do final do ano, o que significa que, de agora em diante, o tempo voa até o dia em que, olhando mais uma vez em volta, ouvindo o sininho dos muitos papais noel que decoram os shoppings me daria conta de que, sim, o ano acabou! Já é natal. E, mais uma vez, me veio uma espécie de melancolia, insegurança, sei lá. Claro que sabia que agora era só uma questão de tempo, que a resposta do Canadá estaria chegando. Pensando racionalmente, sei que o pior momento é a espera da análise da documentação, é o deferimento do pedido. E isso já tinhamos passado. Agora, pensava eu, não tem como dar errado.
Mas, sei lá, né? Vai que meu processo está parado em uma pilha interminável de outras famílias e outros pedidos. Vai que colocaram o meu no fim da fila. Vai que, como costuma acontecer em repartições públicas brasileiras, deram sumiço no meu processo...
E, mais uma vez, pensava no meu fim de semana. Olhando a rua suja, uma senhora bem velhinha pedindo dinheiro com as mãos trêmulas em quem, na tentativa de me proteger desta dura realidade, teimava não fixar meus olhos, tomava o caminho de casa. E, falando com o maridão ao celular, vejo a animação de sua voz: sua irmã vai ficar com os meninos, vamos sair hoje à noite!!! Como? Por quê? Não sabia se me animava (afinal, era sexta de noite, né?) ou se tentava dissuadí-lo da idéia (estava tãaoo cansada...) . Mas o fato é que, com as mãos no volante, fechando os olhos e respirando fundo nos semáforos fechados, tento, com todas as forças, não pensar no processo do Canadá. Não queria acreditar que era ele. Tinha medo da frustração acaso não fosse...
Tcharam!!!!!!!!!!
Com direito a choro e respiração aliviada, ela chegou!!!
Que bom meu Deus, graças a Deus, meu amor, merecemos, ufa, ainda bem...
Agora, gente, tá mais perto do que nunca! Agora, no momento em que ia me tornar oficialmente uma homeless, já que os donos da casa, meus pais, estão chegando para retomar o posto, o processo federal resolveu dar o ar da graça!
Não precisa dizer como ficamos, né? E que passamos a noite inteira falando disso, entre beijinhos e abraços, e que, agora, concretamente falando, estamos de fato programando a nossa viagem! Enfim!!! O blog, neste exato momento, voltou a ter sentido, retomando o motivo de sua existência. E que, enquanto vivenciamos mais esta nova etapa (que só quem passou ou está passando por isso sabe do que se trata), tentaremos, dentro das nossas capacidades, atualizá-lo frequentemente. Teremos muitas novidades! Aliás, já as temos...
Estamos no momento de fazer a lista de providências, reorganizar rotina, colher informações. Breve, mais notícias para todos!! Consulta médica já marcada!!!
Yuppi! Nunca me senti tão animada para vivenciar um inverno de - 30 C (oi???)
Inté!
Esse pretende ser um espaço para registrar todos os desesperos, agonias e conquistas de uma família baiana em busca do sonho gelado que é viver bem lá em cima do hemisfério norte.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
ALGUNS MOTIVOS PARA MIGRAR
Eis que me deparo, no sábado à noite, em uma das avenidas mais movimentadas de Salvador, com um comentário de Théo, aos seis anos de idade: Acho que está tendo um assalto por aqui. O que mais chamou a atenção, confesso, não foi o fato da possibilidade de ter ou não um assalto perto de mim. Possivelmente foi fruto até da imaginação dele, cuja cabecinha tem estado envolvida com estórias de guerra, luta, ninjas. Mas meu choque foi em relação à naturalização da coisa, sem qualquer alteração de voz, medo ou surpresa. Talvez se tivesse pedido um lanche estivesse mais alterado. E, com todo conhecimento de causa, me explica o a lógica de seu raciocínio de modo a ter chegado a esta conclusão.
Sem maiores argumentos, quis encerrar a conversa dizendo que esse tipo de coisa não acontece no Canadá, país que não conhecemos mas que já amamos como nosso, encarado por todos desta família como um oásis. Até que, me responde: "mãe, assaltante tem em qualquer lugar do mundo". E, nesse sentido, diz que conhece váarios golpes e que aprenderá mais outros tantos, já que luta é 'defesa pessoal', termo que uso para tentar persuadí-lo a desistir da idéia.
É bem verdade, disse. Mas o 'assalto canadense' é diferente!! Pessoas armadas, colocando outras em perigo, não existe. Apenas uns roubos, daqueles ocorridos quando alguém esquece algo em um certo lugar e outra pessoa pega e leva. E o diálogo continuou: "mãe, isso não é roubo... é... normal!"
Claro que não é possível um lugar maravilhoso assim, né? E ele tentou dar continuidade à conversa, para meu desespero. "Duvido que não tenha meninos assim, da minha idade, com estilingue, e que corre atrás de outros, para roubar ou assustar!!" Que droga!Por que não desiste desta conversa? Saco! Não filho, não tem, meu amor. E, não convencido, ou por achar que a mãe não entende muito das coisas do mundo, pergunta ao pai: É assim mesmo?
Após resposta positiva do maridão, Théo finalmente fala, em tom de euforia: - Oba!!! vou, então, poder andar na rua, no lado de fora do condomínio, se nós morarmos em um, encantado com este novo país que tanto lhe agrada.
E depois de darmos o assunto por encerrado, concluí: Tem, mesmo algumas coisas que estão fora da ordem, e a normalização da violência é apenas uma delas.
Aí eu respondo: Se tenho coragem de ir?? Eu não tenho coragem é de ficar por aqui!!!
boa semana para todos!
Sem maiores argumentos, quis encerrar a conversa dizendo que esse tipo de coisa não acontece no Canadá, país que não conhecemos mas que já amamos como nosso, encarado por todos desta família como um oásis. Até que, me responde: "mãe, assaltante tem em qualquer lugar do mundo". E, nesse sentido, diz que conhece váarios golpes e que aprenderá mais outros tantos, já que luta é 'defesa pessoal', termo que uso para tentar persuadí-lo a desistir da idéia.
É bem verdade, disse. Mas o 'assalto canadense' é diferente!! Pessoas armadas, colocando outras em perigo, não existe. Apenas uns roubos, daqueles ocorridos quando alguém esquece algo em um certo lugar e outra pessoa pega e leva. E o diálogo continuou: "mãe, isso não é roubo... é... normal!"
Claro que não é possível um lugar maravilhoso assim, né? E ele tentou dar continuidade à conversa, para meu desespero. "Duvido que não tenha meninos assim, da minha idade, com estilingue, e que corre atrás de outros, para roubar ou assustar!!" Que droga!
Após resposta positiva do maridão, Théo finalmente fala, em tom de euforia: - Oba!!! vou, então, poder andar na rua, no lado de fora do condomínio, se nós morarmos em um, encantado com este novo país que tanto lhe agrada.
E depois de darmos o assunto por encerrado, concluí: Tem, mesmo algumas coisas que estão fora da ordem, e a normalização da violência é apenas uma delas.
Aí eu respondo: Se tenho coragem de ir?? Eu não tenho coragem é de ficar por aqui!!!
boa semana para todos!
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