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terça-feira, 13 de novembro de 2012

O FIM DE SEMANA EM SÃO PAULO E O VISTO EM MÃOS



Dia 18 do mês passado fomos para São Paulo, em uma viagem inventada nada mais nada menos do que para pegar os vistos nas mãos da Maura, no Consulado.  Todos que já passaram por isso sabem o quanto este momento é emocionante.  Emocionante a tal ponto que precisei de quase um mês para me recuperar do forte impacto, e conseguir descrevê-lo aqui no blog. Para os que estão em processo e ainda nao vivenciaram este momento, vou contar um pouco desta sensação indescritível.  ATENÇÃO: este relato contém emoções fortes.  Peço especial cautela aos cardíacos e safenados, viu?

Tudo se iniciou assim: depois de ter 'inventado' perante o Consulado canadense que estaria em São Paulo na semana do dia 17 de outubro, indagando se poderia passar para pegar os nossos passaportes, e ter recebido como resposta que 'faria o possível para entregar os vistos a partir do dia 16 no período da tarde', corre eu e marido para emitir bilhetes para Sampa.  Não sem antes combinar com meus pais de deixar os meninos com eles, organizar com a babá de dar o suporte no fim de semana de nossa ausência e ligar para irmaozinho para saber se poderia nos hospedar.  Tudo pronto, bilhetes em mãos, e lá fomos nós!!!

Para deixar a viagem com uma carga maior de adrenalina, estava no primeiro dia da miss red.  Isso mesmo! A menstruação chegou e, como a dananda nunca vem sozinha, fiquei com uma baita enxaqueca, enxaqueca essa piorada por uma noite não dormida devido ao sono interrompido do nosso caçula e um vôo que não nos deixava prorrogar a preguiça na cama: 8 da matina (com escala em Porto Seguro.  Socorre!!! Quase que desembarco por lá, gentém!)

Esses vôos baratinhos da Gol me matam! Ficar até 2 horas da tarde sem comer foi ^*_@!  E, como tenho pânico de avião, aterrissar por duas vezes foi um verdadeiro tormento.  Aquela bendita hora de 'coloquem suas poltronas na posição vertical', com dores homéricas na cervical serviram como eventos disparadores de mãos suadas e náuseas.  Comecei a me mexer e a chorar  reclamar.  

Em solo firme, pedi pelamordedeus para irmos direto para a casa de meu irmão.  Afinal, poderiamos pegar os passaportes na sexta-feira, não?  Não, isso não era possível.  Marido tinha reunião de trabalho durante a tarde, de modo que teriamos apenas a sexta pela manhã para fazer isso, e como seguro morreu de velho (e como tinhamos ido lá somente para isso), decidimos seguir viagem.  Dramin no bucho, braguilha da calça aberta, cabeça apoiada no encosto do banco do carro e lá fomos nós..

Para sintetizar a estória, o prédio é enorme, o estacionamento lotado e a fila para se cadastrar para subir ao consulado também... eu fiquei encostada na parede, esperando chegar minha vez.  Até que o funcionário, talvez por minha palidez estampada na cara, agravada pelo remédio misturado com o nervosismo me pergunta: “A sra. tá se sentindo bem?” E, gentilmente me informa: “Tem um ambulatório aqui no edifício, talvez fosse melhor a senhora dar um pulinho lá”.  E, quando penso que terminou, utiliza o interfone para informar a outro funcionário do consulado que estava subindo uma mulher... (me descreve) que não estava se sentindo bem... blábláblá.  Se eu estava nervosa, imagine como fiquei????? Será que era um prenúncio da minha morte? Estava tão mal assim e nem percebi??

GENTÉM. Tinha muita gente chegando e saindo do consulado do Canadá.  Graças a Deus a fila era diferenciada, e para os imigrantes sortudos (no caso, nós), não tinha ninguém na nossa frente.  Mas, como o Canadá é a bola da vez, muitas pessoas pegando o visto de estudante, viu? Fiquei surpresa!!!

A ansiedade de todos estava nos gestos, nas feições do rosto, no roer das mãos.  Quando fui atendida (e muito bem atendida, diga-se de passagem) pela Maura, e ela, após fuçar alguns envelopes que estavam ao alcance das mãos, me pede para aguardar um pouco, sento e entro em parafuso.  Fiquei com as mãos geladas (mais??), suei frio, chorei.  A emoção foi tomando conta de mim. E o medo de ter tido algo errado com nosso processo também.  Foram horas minutos que não passavam nunca.  Achei que não ia sobreviver a esse turbilhão de sentimentos!!!



Mas, resultado: cá estou eu pra contar história.  Deu tudo certo, sai de lá com duas lágrimas discretas nos olhos, muitos papeis em mãos, e a certeza de que a jornada está apenas começando. 

Obrigado a todos por partilhar isso comigo.  Obrigado, marido, por encarar essa nova aventura.  Com você vou até para a lua.  Morar em um país com tal qualidade de vida, então, nem se fala!  Obrigado W., meu irmão, por estar conosco neste momento tão importante (ainda que tenhamos brigado na volta).  Obrigado, amigos de jornada, aos virtuais e aos reais.  Só que está passando por isso sabe o que aquela página preenchida no passaporte significa. É nossa chave para o futuro.

Obrigado, irmãos, por entenderem nossas escolhas.  Obrigado, meus pais, por me darem asas.   

A viagem está apenas começando!!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dois meses de envio de exames médicos: Cadê a Maura??

Gentém,

Esse post é apenas mais um triste aniversário comemorado nesse longo processo que é a espera pelo tão sonhado visto canadense.  Fazem dois meses que enviamos os exames médicos para Ottawa (e documentação complementar para o Consulado de São Paulo). Sei que tive muita sorte na primeira fase do processo, pois entre o envio do calhamaço que é a documentação solicitada até a resposta positiva do governo canadense esperamos apenas 45 dias.  E eu, tolinha, achava que o resto seria tranquilo e rápido,tendo até mesmo feito planos de estar em março de 2012 (sim, me crucifiquem.  Achei mesmo isso) na tão sonhada terrinha.


A partir de então foram looongoooos meses de espera.  Consigo medir isso olhando para o meu filho caçula.  Partimos para a árdua tarefa de coletar documentos sobre nossa vida desde os 18 anos de idade em março do ano passado, com o pequeno contando com apenas 10 meses de idade.  E hoje, falando, correndo, frequentando escola, vejo que 22 meses é uma vida, né? Quanto mudamos, quanto aprendemos nesse tempo?? No meu caso, com exceção da mudança de casa, mudei nada.  Vivo, constantemente, esperando a semana passar, com a chegada da tão sonhada sexta-feira (thanks God it's friday!!!). E, no sábado, agradecendo que mais uma semana se foi, torcendo para que chegue a segunda!! Êita espera difícil! Dá para ficar irritada, entediada, ansiosa.  Quem não pirou nesse processo é porque tem uma saúde mental de ferro, viu? Colegas imigrantes, agradeçam.  Vocês passam longe de antidepressivos e ansiolíticos.  Se, no auge do inverno canadense descambarem pra comer chocolates e alimentos gordurosos, estão justificados e desculpados.  Antes isso do que engrossar a fila daqueles que tem seus afetos medicados e entram na triste estatística dos acometidos por qualquer tipo de transtorno mental.

Enfim, é isso.  Mesmo que estejamos planejando fazer o landing em janeiro (não me internem não, tá? Comprovadamente não sou louca... apenas ansiosa), precisamos ver passagem, casa, visto americano.  E, além do mais, o medo de ter dado alguma coisa errada com os exames médicos (e termos algum pedido de complementação) é grande.  Vimos acontecer com gente querida da blogosfera e, definitivamente, não é uma experiência pela qual queremos passar!!

Será que é muito ligar para a Maura pelo menos três vezes por dia, todos os dias? Será que errei em ter deixado recado na secretária eletrônica, na esperança de ter minha ligação retornada? Alguém, nesse meio tempo, conseguiu falar com ela?? Corrro algum risco de meu processo ter caído em baixo da mesa, um cachorro ter feito xixi nele e o funcionário de serviços gerais tê-lo jogado no lixo?? É muito devaneio ou faz algum sentido??

Alguém aí, please, me dá uma boa notícia.  Me consolem, meu povo!!

PS: Hoje, em pleno outono, os termômetros marcam -6 C em Calgary.  Alguém me belisca??


segunda-feira, 16 de julho de 2012

MUDANÇA DE PLANOS

Estava eu, sexta-feira de noite, fazendo o caminho do 34 andar do prédio em que trabalho até o carro, que fica em um centro empresarial ao lado.  Olhei para a rua, pensei na vida. E os pensamentos giravam em torno do fato de já termos virado o segundo semestre sem qualquer notícia do hemisfério norte.  Ou seja, estamos mais perto do final do ano, o que significa que, de agora em diante, o tempo voa até o dia em que, olhando mais uma vez em volta, ouvindo o sininho dos muitos papais noel que decoram os shoppings me daria conta de que, sim, o ano acabou! Já é natal.  E, mais uma vez, me veio uma espécie de melancolia, insegurança, sei lá.   Claro que sabia que agora era só uma questão de tempo, que a resposta do Canadá estaria chegando.  Pensando racionalmente, sei que o pior momento é a espera da análise da documentação, é o deferimento do pedido.  E isso já tinhamos passado.  Agora, pensava eu, não tem como dar errado.

Mas, sei lá, né? Vai que meu processo está parado em uma pilha interminável de outras famílias e outros pedidos. Vai que colocaram o meu no fim da fila. Vai que, como costuma acontecer em repartições públicas brasileiras, deram sumiço no meu processo...

E, mais uma vez, pensava no meu fim de semana.  Olhando a rua suja, uma senhora bem velhinha pedindo dinheiro com as mãos trêmulas em quem, na tentativa de me proteger desta dura realidade, teimava não fixar meus olhos, tomava o caminho de casa.  E, falando com o maridão ao celular, vejo a animação de sua voz: sua irmã vai ficar com os meninos, vamos sair hoje à noite!!! Como? Por quê?  Não sabia se me animava (afinal, era sexta de noite, né?) ou se tentava dissuadí-lo da idéia (estava tãaoo cansada...) .  Mas o fato é que, com as mãos no volante, fechando os olhos e respirando fundo nos semáforos fechados, tento, com todas as forças, não pensar no processo do Canadá.  Não queria acreditar que era ele.  Tinha medo da frustração acaso não fosse...

Tcharam!!!!!!!!!!

Com direito a choro e respiração aliviada, ela chegou!!!
Que bom meu Deus, graças a Deus, meu amor, merecemos, ufa, ainda bem...
Agora, gente, tá mais perto do que nunca! Agora, no momento em que ia me tornar oficialmente uma homeless, já que os donos da casa, meus pais, estão chegando para retomar o posto, o processo federal resolveu dar o ar da graça!

Não precisa dizer como ficamos, né? E que passamos a noite inteira falando disso, entre beijinhos e abraços, e que, agora, concretamente falando, estamos de fato programando a nossa viagem! Enfim!!! O blog, neste exato momento, voltou a ter sentido, retomando o motivo de sua existência.  E que, enquanto vivenciamos mais esta nova etapa (que só quem passou ou está passando por isso sabe do que se trata), tentaremos, dentro das nossas capacidades, atualizá-lo frequentemente.  Teremos muitas novidades! Aliás, já as temos...

Estamos  no momento de fazer a lista de providências, reorganizar rotina, colher informações.  Breve, mais notícias para todos!! Consulta médica já marcada!!!

Yuppi! Nunca me senti tão animada para vivenciar um inverno de - 30 C (oi???)

Inté!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PARA AQUELES INTERESSADOS EM MIGRAR

Oi, gente



Recebi um e-mail de uma leitora, interessada no processo de imigração canadense e, como a resposta dada a ela pode interessar a outros leitores, publico aqui algumas considerações para possíveis candidatos à imigração, reconstruindo, aos poucos, a nossa trajetória até aqui.

Nós (eu, esposo e dois filhos) estamos tentando migrar migrando para o Canadá.  Nos habilitamos no processo federal (skilled worker) em 2011, de acordo com as regras estipuladas pelo Ministério de Imigração canadense www.canada.gc.ca e que muda todo ano, principalmente no tocante às profissões desejadas.  Por isso, sugiro dar uma olhadinha nos pré-requisitos necessários e fazer o simulado disponibilizado pelo governo antes de dar início a qualquer especulação em torno deste assunto.  Minha profissão (psicologia) está na lista das profissões habilitadas para pleitear o visto de imigrante permanente, o que fez com que eu fosse a aplicante principal.

O tempo de maturação da idéia é longo.  A lista de documentação necessária para o visto, idem.  E o tempo que leva para recebermos a resposta também.  Por isso, é preciso ter certeza, perseverança e, o que é pior, auto controle.

Começamos a recolher toda a documentação necessária, tais como diploma, antecedentes civis e criminais, histórico escolar, etc, traduzí-la, e estudar inglês no começo do ano passado.  Como aplicante principal, tive que fazer teste de proficiência no idioma (IELTS), o que me levou bastante tempo, já que aqui em Salvador, onde moro, ele é aplicado em média a cada quatro meses. E, claro, me foi preciso fazer um curso preparatório, uma vez que precisava reciclar meu inglês, e aprender a responder esse tipo de prova tão específico. Contamos, ainda, com a ajuda de uma empresa especializada neste tipo de visto, pois, após tamanho investimento financeiro e emocional, temíamos dar errado com o processo por uma bobagem qualquer, tal como o não envio de uma documentação considerada imprescindível para o andamento do processo.

Recebemos a resposta positiva do governo canadense em agosto do ano passado (O CANADÁ ME QUER, VIVA!!!)  e, atualmente, estamos no estágio de aguardar a solicitação de exames médicos (o que, segundo alguns blogs que visitei, pode demorar até um ano).  Acho que este tempo nos é 'dado' para testar a nossa força de vontade.  De repente, o Canadá acredita que uma família, depois de passar tanto tempo na espera, vai se empenhar ao máximo para dar certo no país deles, produzindo e gerando riquezas, se adequando às regras, respeitando a convivência multicultural, etc...sei lá, vai saber...

Diante de tamanha ansiedade, resolvi canalizar essa energia para a criação deste blog, o que já deveria, aliás, ter feito há muito tempo.  Imaginei que através dele estaríamos trocando informações e dicas com outras pessoas envolvidas neste mesmo processo de migração, faríamos contatos com os 'daqui' e os que lá ja chegaram, favorecendo, assim, a familiarização com tudo o que nos aguarda.  E, quando sabemos exatamente o que vamos encontrar, a possibilidade de adaptação cresce exponencialmente, né?

Enfim. Acho que é isso.  Pretendo, aos poucos, postar sobre assuntos específicos da habilitação para o processo federal, ajudando, com isso àqueles que estão passando pelo que eu passei, na busca de informações e dicas para iniciar o processo, e ser ajudada por aqueles que estão mais adiantados do que nós.  Para quem se interessa em encarar mesmo essa jornada, vale a pena ler bastante sobre a cultura, adaptação, mercado de trabalho, clima, moradia, lazer, educação, etc.  Existem sites de comunidades de brasileiros no canadá que sempre ajudam neste sentido.  Dá uma olhadinha nesta comunidadebrasilcanada.wordpress.com  e nesta brasilnocanada.wordpress.com. Lá é possível encontrar links para vários outros sites que podem estar trazendo respostas ao imigrante ou para o potencial imigrante. E nossos conterrâneos brazucas que lá estão e que sempre postam coisas legais para nós, que aqui estamos, no hemisfério sul.

À medida que forem surgindo, prometo escrever sobre assuntos relativos à imigração para aqueles interessados.  E, para nossos amigos e familiares, estaremos atualizando as notícias sobre esta jornada.




quarta-feira, 11 de abril de 2012

E A SAGA CONTINUA!!!

Esta data tem que ser comemorada! Depois de quase oito meses dizendo que preciso criar um blog para registrar este longo período de espera da solicitação de exames médicos do governo canadense, finalmente saí da inércia e consegui, ao menos em parte, operacionalizar o tal. Faltando, ainda, muita coisa, é fato. Mas, ao menos, EU EXISTO!! Sim, a minha existência virtual torna a vida real menos angustiante. Porque é isso que sou: uma brasileira angustiada, sobrevivendo ao dia a dia, aguardando, ansiosamente, uma notícia canadense. E, enquanto o tempo passa (ou não passa, depende do ponto de vista), vivo lendo o blog dos conterrâneos que estão por lá, estão pensando em ir pra lá ou que, assim como eu, estão do lado de cá, sonhando com 'lá'. Acho que postar por aqui vai me dar uma outra atividade, além da leitura diária da espera alheia, ou da conquista de outros brazucas.
É isso aí, gente. Enquanto estou na 'sala de espera', vou aproveitando para me informar mais, para diminuir meu check list, para resolver pendências. E para armazenar um pouco do calor nordestino que tanto faz falta aos expatriados, curtindo, vez ou outra, uma praia no fim de semana!!Pois bem sei que esta temperatura de 31º C que tanto me incomoda será uma das coisas que mais sentirei falta por lá.
Mas, atualmente, o fato é que estou louquinha para sentir esta saudade...